“A Matemática apresenta invenções tão sutis que poderão servir não só para satisfazer os curiosos como, também, para auxiliar as artes e poupar trabalho aos homens”.
René Descartes
A matemática não surge no estalar dos dedos, mas é criada e desenvolvida por pessoas. Pesquisadores criativos, visionários que com paciência e determinação encontraram caminhos e soluções para facilitar a vida dos seres humanos. Desde os povos pré-históricos que usavam pedras para contar outros objetos; aos egípcios que criaram um dos primeiros símbolos para os números; aos romanos que usaram as letras do alfabeto latino para simplificar a representação numérica e, por fim, os hindus que desenvolveram os nove símbolos que usamos até hoje (incluindo posteriormente o zero, inspirado num ovo de pata ou gansa), a matemática foi desenvolvida por diversos povos ao longo da história humana.
Ao trabalhar por vários anos no magistério com matemática, e em diversos segmentos escolares, observamos e começamos a investigar que há certa distância dos livros didáticos de matemática para a aplicação diária dos conteúdos estudados. Desse modo, sempre tentamos fazer com que o aluno aproveitasse o conteúdo da sala de aula em sua vida cotidiana, aplicando conteúdos como: proporção, regra de três, porcentagem, juros, probabilidade e noções de estatística.
A matemática com curiosidade é um precioso recurso de motivação. Portanto, seguindo o caminho das curiosidades matemáticas, temos como maior representante no Brasil o brilhante professor Júlio César de Mello e Souza (mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan), que escreveu diversas obras sobre o uso divertido da matemática, através de passatempos matemáticos e desafios de lógica. Também é válido apresentar a arte japonesa do origami, que através das dobraduras no papel demonstra de modo prático elementos como retas perpendiculares e retas paralelas e diversas formas geométricas euclideanas – triângulos, quadrados, hexágonos, etc. –, além da geometria espacial, com os poliedros. Como curiosidade extra, pode-se mostrar o ábaco, seu uso, e como ele surgiu na cultura dos povos asiáticos.
Para manter os alunos motivados e interessados, é indispensável mostrar que a matemática se apresenta visível na natureza na sua forma mais pura, com o que chamamos de “geometria dos mosaicos”: nos desenhos dos cascos das tartarugas, no favo de mel, na espiga do milho, na casca do abacaxi, nas flores e frutos de muitas espécies. Ao observar esses padrões, os homens se inspiraram e os reproduziram nas criações de azulejos, nas malhas das cercas, na fabricação de tecidos e no traçado da palha das cestarias. O ciclo se completa nos mosaicos geométricos do artista gráfico holandês M. C. Escher, famoso pelas metamorfoses de padrões geométricos que se transformavam em formas completamente diferentes. Escher considerava a matemática um portão aberto, e dizia: “Desse portão partem muitos caminhos que se ramificam por um jardim”. E no jardim de Escher, pentágonos se transformavam em flores.
Mas a matemática não são apenas números ou formas geométricas: ela também é usada como forma de comunicação entre povos da África e para aplicação de conceitos básicos de aritmética. Segundo o matemático e antropólogo holandês Paulus Gerdes, através de suas contribuições na etnomatemática, ele mostra que todos os povos da humanidade, independente de raça e origem social, são, em princípio, capazes de descobrir, compreender e desenvolver a ciência da matemática em seu proveito. Desse modo, a Matemática pode contribuir para fraternidade entre os povos.
Professores José Angelo S. Benedito e Patrícia Regina Gonçalves
